domingo, 23 de novembro de 2014

O Palco

Já todos passámos por aquele momento… Aquele momento em que, na hora certa, aparece uma pessoa que nos diz:
-É a tua vez.
A seguir, após refletirmos um pouco, preparando-nos física e psicologicamente, avançamos para O Palco.
Chegado ao palco, abrem-se as cortinas e ficamos totalmente expostos. Ouvem-se os aplausos e, como uma espada cravada no peito, faz-se o silêncio… um silêncio tão profundo e tão terrível, que se apodera do nosso corpo, tornando os pensamentos embaciados. A voz fica trémula, e a cabeça parece que vai quase rebentar de tanta pressão. Mas o pior de tudo é que, quando eu vou ao palco, esqueço-me de que a minha mente não está comigo… está nos bastidores a olhar para mim e a criticar-me constante e silenciosamente…







João Costa

4 comentários:

  1. Um texto com sentido João Pedro, gostei. A vida,muitas vezes, é também um palco onde cada um desfila como pode, ou como o deixam, ou como é possível. Raras vezes, como quer...

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  2. Adorei o texto. E sabes, até eu que estou habituada a verdadeiros palcos, depois de tantos anos de prática, são raras, muito raras as vezes que não fico nervosa. Mas consigo-me controlar, simplesmente porque associo muito, a vida a um palco. Lá está, todos os dias, a todas as horas, estamos a representar, pensa nisto.

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  3. Penso que o que nos causa aquele "nervosismo" não é o que vamos fazer, mas sim que está a ver. O público. É aquilo que (pelo menos eu) tememos. Os olhares. Os comentários. Há que ter força para enfrentar tudo isso, pois nós subimos ao palco com um objetivo e só saímos de lá, quando este for concretizado.

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